segunda-feira, 6 de abril de 2015

Os Superfeitos do Superbebê

Hoje há um recurso nas histórias em quadrinhos de super-heróis que é chamado de retcon. Trata-se de contar um fato do passado do personagem que, na verdade, é a primeira vez que está sendo apresentado. É como se você achasse que conhecia tudo sobre seu personagem preferido e, de repente, descobrisse que havia algo que não te contaram. E, pior, não te contaram porque realmente não existia. Foi “inventado” agora.
Nas histórias em quadrinhos esse recurso é usado de forma competente ou desnecessária. Mas se engana quem não gosta desse meio de contar o passado por ser algo das histórias “atuais”. O retcon existe desde o tempo em que não havia necessidade/preocupação com a cronologia do personagem.
Bem… a verdade é que, antigamente, eles existiam justamente por não haver uma preocupação com a cronologia do personagem. Um dos momentos mais famosos em que foi utilizado tem até um nome famoso: Superboy. As aventuras do homem de aço quando era um menino foi utilizado um bom tempo depois de que o personagem (adulto) já estava estabelecido.
Que ele tinha superpoderes desde que nasceu, todos já sabiam. O que ninguém sabia é que ele chegou a utilizar o famoso uniforme em sua pré-adolescência. Mas, já que é para extrapolar… por que não ir mais além? E se houvesse… um superbebê?
É claro que o superbebê, apesar da insistência de Martha Kent em vesti-lo com as cores que tanto lhe dariam fama, ainda não utilizava uma versão do uniforme do Superman. E foi em uma história envolvendo o superbebê que ficamos conhecendo um pouco mais de seu primeiro encontro com o elemento que lhe é tão letal: a Kriptonita.
Assim como em um bom retcon, o elemento já era conhecido do público que acompanhava as histórias do personagem enquanto adulto. E até mesmo suas aparições nas aventuras do Superboy. Mas aqui foi mostrada a primeira vez em que o personagem, acidentalmente (e quase fatalmente) teve o primeiro encontro com o minério que lhe tira os poderes.
A Kriptonita que aparece na história é, literalmente, um elemento da aventura, que conta como Superboy agradece secretamente algumas pessoas que, mesmo inocentemente, o ajudaram de alguma forma no passado. Cidadãos de Pequenópolis (que depois viria a ser conhecida como Smallville) que conheciam bem as estripulias do bebê dos Kent sem, no entanto, fazer a mínima ideia de que ele era superpoderoso.
Superboy agradece cada um de seus benfeitores oferecendo seus… hã… superserviços quase que gratuitamente. Entre os que se beneficiaram dessas ações estão Caleb Bentley, que tem um parque de diversões, agraciado com uma faxina e reforma da pista de corridas (no passado, Bentley livrou o superbebê quando este engatinhou até os trilhos da ferrovia, sem saber que quem corria maior risco era a própria locomotiva).
Outro beneficiado foi James Wright, que tem uma loja de novidades e precisava de mais espaço. Superboy usa sua força e reforma a loja, utilizando até mesmo sucata derretida em um vulcão para deixá-la mais bonita. No passado, o superbebê voou atrás de uma pipa e ia revelar seus poderes aos cidadãos de Pequenópolis… se Wright, no mesmo dia, não fizesse a propaganda de sua loja utilizando balões que imitavam pessoas da cidade, fazendo todos acreditar que o bebê voando, na verdade, era mais um balão imitando o bebê dos Kent.
Além desses, também houve Jed Lee, que se tornou rico, mas salvou o pai de Clark quando ele, bebê, usou sua visão de calor em dinamite. Jed, na época, atravessou na frente do bebê carregando tubos que desviaram a visão. Para este, Superboy cobrou uma fortuna para cortar sua grama, mas utilizou o dinheiro para reformar um orfanato com seu nome, o que o deixou emocionado.
Mas foi Arthur Blake, dono de uma loja de antiguidades, a qual o herói usou supervelocidade para fazer suas entregas e expôs um enorme painel nos céus para ser leiloado, que o livrou dos malefícios da kriptonita. E, assim como os outros, sem que soubesse o bem que estava fazendo. Para falar a verdade, sequer o herói ou seus pais sabiam ao certo do que se tratava.
Quando o superbebê brincava fazendo pilha com gigantescas pedras, encontrou uma que era mais brilhante e chamava sua atenção. Estranhamente, o bebê começou a se sentir cansado (e depois enjoado) parecendo dormir ao lado da pedra. Quando Arthur o encontrou, achou que o bebê cansou-se de brincar e o levou a seus pais. Mal sabia que, na verdade, o bebê poderia ter morrido caso ficasse exposto mais tempo ao minério.
Sequer a intenção da história é mostrar uma espécie de retcon (como disse, no passado não havia a preocupação com cronologia). Na verdade é uma história sobre gratidão que traz, como curiosidade, esse pequeno detalhe do super-travesso bebê de aço.


Adventure Comics n° 231
DC Comics – dezembro de 1956
Escrita por Otto Binder | Desenhada por John Sikela
Publicada no Brasil pela Ebal, em Superman n° 43 – Julho de 1959

Fonte: Impulso HQ

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