terça-feira, 10 de março de 2015

Quadrinho Nacional com temas regionais e faroeste

O Brasil é um país continental e assim os temas de nossas HQs podem mostrar a diversidade de nossa cultura ou adaptar temas universais. Este é o caso das publicações resenhadas neste artigo. Confira!

Carcará – Cabra Pió Não Há!  – Neste trabalho independente lançado em 2011 por Roberto Flávio Lima, conhecido como Beto Potyguara, vemos o tema do cangaço na ótica do autor ao colocar a figura lendária de Lampião em confronto com o Carcará. Beto publicou “Carcará” em 2010 como uma webcomic, mas brindou os leitores tradicionais com uma edição impressa num formato adequado a narrativa da história.
Utilizou para contar o confronto dessa duas figuras icônicas do popular brasileiro à técnica da narrativa do cordel e para os desenhos procurou fazer em forma de xilogravura, ou seja, deu uma característica bem peculiar ao trabalho, mostrando uma regionalidade que o roteiro exigia. Neste ponto Beto Potiguara foi muito feliz. Mesmo com uma história simples, Beto fez um roteiro muito bom, mas os desenhos ainda são o destaque da publicação. Contatos pelo e-mail rquadrinhos@gmail.com.

Vitalino – O Menino que Virou Mestre  – Sill é cartunista premiado (Angelo Agostini, 2009) e começou como fanzineiro editando o Cordel Comix desde meados dos anos 1990. Seu trabalho virou livro em 2009 sob o título “Cordel Comix – Humor em Quadrinhos”. Assim, “Vitalino – O Menino que Virou Mestre” é o segundo livro do cartunista e apresenta a biografia em quadrinhos do Mestre Vitalino, ceramista reconhecido mundialmente e que viveu sua vida na cidade de Caruaru/PE.
O autor foi muito competente nesta obra, pois apresentou a vida do Mestre Vitalino com muita criatividade, conseguindo ser didático sem ser cansativo. O traço de Sill é outro ponto a destacar, pois apresenta características do cordel e da xilogravura, o que casou muito bem com a narrativa do texto. Contatos pelo e-mail sillcartum@hotmail.com.

Chet – O Retorno – Quem, como este articulista, que começou a militar nos fanzines e lutar pelo quadrinho nacional no final dos anos 1980 e início dos 1990, não acompanhou a trajetória de Chet na editora Vecchi, mesmo que buscando algumas edições nos sebos? Esta série produzida pelos irmãos Portela, Wilde (roteiro) e Watson (desenhos) fez grande sucesso, mas como outras tantas se perdeu na poeira de duas décadas longe do mercado editorial.
Agora, pelas mãos do editor independente Fábio Chibiliski e sua editora Ink Blood Comics, Chet está de volta em duas publicações: “Chet – Especial 30 Anos” e “Chet 01 – Faroeste”, a primeira lançada em 2010 e a segunda em fevereiro de 2012. Para comemorar os 30 anos da criação do personagem, Fábio reuniu um time de ótimos colaboradores como Marilin Vans e Cidgley Vamtroba com roteiro do criador Wilde Portella.
A publicação foi tão comentada e reverenciada que em 2012 Chet retornou com um gibi de numeração 1, levando a crer que outros virão por aí. Neste primeiro número Wilde Portella voltou a escrever tendo como desenhista o fantástico Antônio Lima. Para mais informações acesse o site da editora www.inkbloodcomics.com.

Billy The Kid - Arthur Filho vem mantendo com muito fôlego a revista de faroeste “Billy the Kid”. Recentemente tive a oportunidade de ler a revista número 16 e só pelo fato de estar próximo de chegar a duas dezenas de revistas de um mesmo título e, fazendo isso de forma independente, Arthur está de parabéns e merece nosso reconhecimento por esta verdadeira façanha, pois não sejamos hipócritas, é um parto complicado produzir uma revista independente por mais de dois ou três números.
Mas falando da produção artística da revista, ela traz uma HQ de 4 páginas de Aírton Marcelino que é o destaque da edição com seu ótimo desenho. Outro que colabora com HQ’s é Aurélio Filho, e no mais, temos várias HQ’s do editor da revista com destaque para a HQ “Velho Oeste”. A capa é do fantástico Emanuel Thomaz e temos ainda um artigo de Worney Souza. Contatos pelo e-mail arthur.goju@bol.com.br.

Fonte: Impulso HQ

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