terça-feira, 10 de março de 2015

A Diversidade do Quadrinho Nacional

O quadrinho brasileiro independente tem apresentado uma diversidade de temas. O fato de as publicações serem independentes dá a possibilidade para o artista trabalhar com aquilo que ele gosta, independente do mercado. Assim podemos ver super-heróis, humor, aventura, suspense e crítica social em várias publicações.

Capitão Brasil – Em 1995, Juliano Rocha criou o personagem Capitão Brasil e foi publicado em jornais regionais de São Paulo. Mas Juliano buscando imortalizar o personagem em uma publicação editou em 1998 um fanzine com as tiras do personagem. Passada quase duas décadas, Juliano retoma o personagem em uma revista bacana, muito bem editada com capa e miolo colorido, tudo no maior capricho. “Capitão Brasil 01” (2013) traz HQ’s e tiras do personagem em 20 páginas onde o humor é o carro chefe da publicação.
Embora seja uma revista com tiras humorísticas, Juliano aproveita para usar o humor em questões sociais dando também um caráter de seriedade, mas sem ser panfletário, até porque, a política brasileira é uma grande piada. O desenhista Juliano Rocha diz que aprendeu a desenhar copiando de gibis e em algumas tiras faz homenagens a personagens que devem ter feito parte de sua infância/adolescência. Com muito humor e desenhos de qualidade ficamos na expectativa de um segundo número. Peça o número 01 acessando o site do personagem capitaobrasil.com.br.

Capitão R.E.D.  – Em um primeiro contato com esta publicação de Elenildo Conceição Lopes temos a impressão de ser uma revista de super-heróis com todos os estereótipos possíveis. Mas Elenido, no editorial, deixa claro “nossa primeira HQB”. No momento em que vamos lendo fica claro que temos uma HQB, ou seja, HQ brasileira, mesmo que o personagem tenha um visual de super-herói e o traço do desenhista A-Lima (muito bom, diga-se de passagem) traga o estilo que consagrou os comics norte-americanos.
Se os desenhos e a estrutura da HQ são cópias dos quadrinhos produzidos nos Estados Unidos, e essa seja a influência do criador, fica claro que Elenildo (roteirista) procurou ambientar o Brasil com cenários fiéis ao Rio de Janeiro, uma trama envolvendo a política brasileira e mostrando as mazelas de nossa sociedade. O gibi é de super-herói, mas a HQ é brasileira e este gibi (2012, 40 páginas) totalmente colorido, mostra que também fazemos boas HQ’s de super-heróis com a realidade brasileira. Contatos pelo e-mail compradireta@capitaored.com.br.

Os Estapafúrdios Ursinhos Coloridos – Fernando dos Santos criou “Os Estapafúrdios Ursinhos Coloridos” em 1997 e em maio/2012 a turma ganhou uma edição especial no formato comics com capa colorida, miolo p&b, 54 páginas. Embora o título nos leve a cometer o erro de ler “carinhosos” no lugar de “coloridos”, só esta menção faz relação aos “famosos” norte-americanos, no mais, os personagem de Fernando não tem nada de “carinhosos” e são, sim, muito medonhos e se metem nas maiores trapalhadas ao se intitularem os “super-heróis” de Fofópolis.
Super-heróis? Hehehe…
A edição traz três HQ’s: “A Rosa do Rei”, “Quem foi o filho-da-mãe que chamou esse cara?” e “O Novo super-herói de Fofópolis”, além de três pranchas de humor, esboços, fanartes e biografia do autor. As histórias são bem boladas com humor interessante e o traço do Fernando é muito bom e com uma ótima arte-final. Contatos pelo e-mail fernandocomics@gmail.com.

 


Preto no Preto Branco no Branco – O Brasil tem uma tradição de produzir HQ’s experimentais, HQ’s estas que tem se chamado Poéticas-Folosóficas. São quadrinhos calcados no experimentalismo, tanto de texto quanto nas ilustrações, em HQ’s reflexivas. Alguns artistas têm construído uma sólida produção nesta área como Gazy Andraus e Edgar Franco, sem falar no grande mestre desta arte, Henry Jaepelt, que nos anos 1980/90 largou uma produção de grande fôlego e que influenciou toda uma geração do quadrinho underground nacional.
Guilherme Silveira com sua HQ “Preto no Preto Branco no Branco” (2012, 20 páginas) segue os passos desta galera e apresenta um trabalho intrigante do ponto de vista do texto e com um belo contraste de preto e branco na arte. Para adquirir este trabalho faça contato com o autor pelo e-mail guilhermepwcca@hotmail.com.

Refluxo – A compilação do trabalho do cartunista Batata no álbum “Refluxo” dá a verdadeira dimensão do que é o trabalho deste desenhista, tanto para quem acompanha seu trabalho no zine “Batata Sem Umbigo”, quanto para quem acessa via o seu blog batatasemumbigo.blogspot.com.
Batata tem um traço mergulhado no underground procurando casar o texto a narrativa sem preocupações acadêmicas. As histórias adaptadas para as HQ’s apresentam uma série de parcerias onde as ideias se concatenam com o traço, mostrando um mundo real, longe do lirismo da mera poesia. Mas muitas vezes o texto é poesia, uma poesia de contestação aonde Batata, tal como o título de seu livro, vai regurgitando tudo aquilo que não cai bem no estômago, digo, na vida real: exploração, miséria…
O livro é apresentado por Bira Dantas e traz o posfácio de seus parceiros no coletivo Miséria: Ricardo Flóqui e João da Silva. O livro “Refluxo” com 124 páginas foi publicado pelas Edições Cemop (SP, 2012) e pode ser adquirido diretamente com o autor pelo e-mail batatasemumbigo@gmail.com.


Fonte: Impulso HQ

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