quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Quadrinhos nacionais ganhando importância?

Por Lincoln Nery, extraído da edição 123 do QI


Já faz tempo, eu estava na banca de jornal, quando me deparei com a revista "Saiba Mais com a Turma da Mônica sobre História em Quadrinhos". Na hora peguei a revista e comprei. A historinha é toda em metalinguagem, é muito bacana e tem bastante referências sobre os principais personagens de HQs e seus criadores, eles até falam de pinturas rupestres e baixos-relevos, como um possível primórdio do que viria a ser as HQs, e com a Turma da Mônica apresentando dá um charme demais. Nós vemos Batman, Tintim, Sobrinhos do Capitão, etc. É bem legal!
Aí chega a parte sobre as HQs no Brasil, e pra minha surpresa é bem bacana! Não só os famosos quadrinhos de humor nacionais, que já são valorizados, são citados, como a época áurea do estilo de terror tupiniquim e o que me deixou mais pasmado, os super-heróis do Brasil não foram esquecidos!
Talvez você não saiba, mas os Estados Unidos não reconhecem Santos Dumont como pai da aviação, para eles o avião foi inventado pelos irmãos Wright. E acham que esse invento que revolucionou o transporte no mundo, uma peça fundamental para a revolução tecnológica que vivemos hoje, foi criado nas terras do Tio Sam.
Com os quadrinhos acontece a mesma coisa! Angelo Agostini, um italiano que vivia no Brasil no século XIX já desenhava a revista "Vida Fluminense" muito antes da criação do Yellow Kid, que é tido historicamente como o primeiro "quadrinho" do mundo. Claro que no Brasil os quadrinhos não têm nenhum valor, o que limita a discussão para algum estudioso do assunto e alguns leitores desse meio de comunicação. Não é algo a que seja dado importância como a criação do avião.
O ruim da revista é ser muito curta, poderia ser quase um livro. Uma pena. E no fim, ela não fala nada sobre o movimento dos quadrinhos na internet. é o que faltou pra mim.
Um pouco antes disso, em 2008, a MTV passou um pequeno especial sobre HQs nacionais no seu extinto microprograma MTV Notícias.
E mais recentemente, em 2009, o Canal Brasil fez um interessante documentário sobre o assunto. Muito bem feito, onde temos vários nomes do mercado nacional contando sobre a trajetória dessa mídia no país. São cinco episódios divididos em temas, como: HQ de terror, cômicos, etc.
Convidaram-me para o evento de estréia aqui no Rio e posso dizer, ficou bacana. Porém, descobri que não há menção sobre o movimento de quadrinhistas na internet.
Bom, como o famoso quaadrinhista Ziraldo já alardeou várias vezes na mídia que "todo mundo que mexe na internet é babaca", é difícil que o movimento um dia seja levado a sério.
É uma pena que essa etapa em que os quadrinhos nacionais vivem atualmente não seja considerada pelos artistas brasileiros atuais. A internet se tornou a única ferramenta para a divulgação dos trabalhos. Relembrar o passado, passar as experiências é ótimo, mas é preciso que se veja o presente e o futuro, senão não haverá renovação.
Claro que é ótimo que as outras mídias e os grandes estejam interessados pelo assunto.
Eu, pessoalmente, acho que existe um caminho para esses personagens e artistas, um caminho que quem sabe não quer dividir. A internet é apenas uma etapa nesse caminho.


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