quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O FIM DOS FANZINES por DENILSON ROSA REIS


Lendo no QI 115 a resenha de Henrique Magalhães e as reflexões de Edgard Guimarães, resolvi dar uns pitacos em relação à questão do fim dos fanzines. Aqui em Porto Alegre temos mantido a área dos fanzines nos principais eventos de comics (Comic Com RS) e mangá (Animextreme), embora na última edição deste – 2011 – já não tenha ocorrido a participação dos zines. A questão é que, dos cerca de dez participantes, 90% são autores de quadrinhos amadores que fazem “revistas independentes” em papel xerox para mostrar seus trabalhos. Sou um dos poucos, se não o único, que leva zines com analises de um tema (HQ, cinema, musica). Desta forma, vejo que a maioria não quer escrever sobre o que é fã, neste caso quadrinhos, e sim publicar seus quadrinhos, deixando para escrever e refletir nos seus blogs.
Por outro lado, quando em 1987 editei o numero 1 do fanzine “Tchê”, fiz para ver publicada minha primeira HQ, com arte do argentino Isaac Hunt. Como a HQ tinha duas paginas, completei o zine de 20 páginas com algumas ilustrações de amigos que mantinha contato por correspondência postal, e artigos de HQ, cinema e música que escrevi ou reproduzi na imprensa local.
Vendo minha coleção de fanzines – são 25 anos juntando publicações – os zines de HQs, na maioria, são voltados para a publicação destas, mesmo que na edição tenham noticias e analises sobre quadrinhos. Mesmo assim, sempre chamei de fanzines, mesmo que muitos e talvez a maioria, pela definição do professor Henrique Magalhães e nos critérios da AQC-ESP no Troféu Ângelo Agostini, fosse revista independente impressa em papel xerox.
Para finalizar, não vejo o fim dos fanzines, pelo menos na concepção de fanzine como revista amadora de divulgação de arte. Vejo sim um aprimoramento das publicações amadoras numa época em que o acesso às tecnologias ficou maior, consequentemente diminuindo os custos, levando os fanzineiros a investirem numa tiragem maior, com capa colorida e ate mesmo impressos numa gráfica.

Fonte: QI 117

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