quarta-feira, 3 de outubro de 2012

ENTREVISTA: SEBASTIÃO SEABRA

O NOVO SISTEMA continua sua série de entrevistas com nomes do quadrinho nacional. Desta vez, o desenhista SEBASTIÃO SEABRA. Durante uma conversa pelo Facebook, Seabra comentou sobre seu trabalho, perspectivas que tem para o futuro, entre outras coisas.


Para quem não conhece, Sebastião Seabra é um desenhista veterano, que já trabalhou para grandes jornais, agências de publicidade e para muitas editoras, tanto de livros didáticos quanto de quadrinhos. Desenhou centenas de páginas de histórias em quadrinhos eróticas e de outros gêneros. Também desenhou graphic novels para uma editora da Bélgica.
Isso e muito mais você vai saber melhor nesta entrevista exclusiva ao Novo Sistema!


SUÁD: QUANDO VOCÊ COMEÇOU A PRODUZIR SEUS QUADRINHOS?
SEABRA: A publicá-los foi exatamente em 1974... Uma sátira de filmes em quadrinhos, em parceria com Franco de Rosa, no jornal Folha de S.Paulo, no suplemento dominical que eles mantinham na época... Em seguida, no mesmo ano, começamos mais duas tiras diárias - uma de aventura outra de humor - e uma página para o jornal Notícias Populares, isso em São Paulo. Fiquei colaborando nesse jornal durante cinco anos, escrevendo e desenhando essas duas tiras e uma página de romance em quadrinhos. A tira de aventura se chamava Capitão Caatinga (personagem criado pelo Franco) e a tira de humor se chamava Chucrutz...

SUÁD: QUAIS SUAS INFLUÊNCIAS?
SEABRA: Na época era Neal Adams, desenhista de Batman e outros personagens, mas muitos outros me influenciaram, me ensinaram o que eu sei.

SUÁD: QUANDO SURGIU SEU INTERESSE PELOS SUPER-HERÓIS BRASILEIROS?
SEABRA: De início, tive contato com a revista Tio Patinhas número um... Foi a primeira vez que eu vi um gibi na vida. Logo em seguida comprei os meus gibis... Fantasma, da RGE e Sargento Rock e o Zorro, da EBAL. Em 1969 mudo pra São Paulo, começo a freqüentar as bancas de revistas e a me interessar e ler os super-heróis brasileiros. Eu tinha 11 anos.

SUÁD: QUAL O MELHOR QUADRINHISTA BRASILEIRO EM SUA OPINIÃO?
SEABRA: Poxa! Jogo duro isso... São vários... E quase todos meus amigos. Posso citar alguns, e cada um deles com suas grandes qualidades. Particularmente um dos que mais me encanta, um traço com que tenho grandes afinidades, é o Rogério Cruz. Tecnicamente impecável. Outro, talvez o mais completo deles, seja o Watson Portela... Deodato Filho é um arrasa-quarteirão, um talento monstruoso para fazer HQ... Posso passar a noite falando deles (risos)... E não tem o MELHOR, são todos fantásticos...

SUÁD: FALE-ME SOBRE SEU PERSONAGEM... O VINGADOR MARCARADO. QUANDO SURGIU ELE?
SEABRA: Em Julho de 1991, na revista Almanaque Phenix Superação, da Phenix Editorial.



SUÁD: E QUANTAS HQS DO PERSONAGEM JÁ FORAM PRODUZIDAS?
SEABRA: Bom, segunda HQ (O Cobrador) e a terceira saíram anos depois numa publicadas numa revistinha da Editora Escala. Eu o introduzi em uma ou duas revistas eróticas que fiz para a Editora Noblet. Apareceu como personagem, e publiquei uma HQ num fanzine dele que eu editei. As HQs restantes permanecem inéditas. Na verdade a SEGUNDA HQ - A Origem - dele tinha 30 páginas, era para ser publicada nas edições seguintes do Almanaque Phenix Superação, da Phenix Editorial, mas a editora afundou e os originais se perderam. Eu possuo umas xerox ruins... Quando tiver tempo vou arrumar e publicar isso.
É... naquela época a gente não tinha grana nem pra xerocar os originais (risos)...

SUÁD: JA DESENHOU OUTROS PERSONAGENS?
SEABRA: Hummmm... Já desenhei inúmeros deles...

SUÁD: PODERIA CITAR ALGUNS?
SEABRA: Bom, um que escrevi e desenhei por muito tempo, mais de mil tiras diárias, foi o Capitão Caatinga. Em seguida fiz alguns personagens em HQs avulsas, Dagor, para a Editora Grafipar, de Curitiba. Hummm... Poxa, nem lembro mais. Um número de um personagem japonês... Ah! Escrevi e desenhei vários gibis do Zorro para a EBAl do Rio... Que mais?!... Foram muitos, mas tudo picado, uma edição só ou apenas esboço, ou apenas arte-final... Nem computo isso... Nem guardo. Ah (risos)... Tem meus personagens que fiz para a Europa, e que também vendi para o mercado paulista (como fui esquecer disso?). Rose, A Mulher Gato. HQ policial duma striper na noite paulista. Dois álbuns. O segundo foi A volta da Mulher Gato. E John Áskesis, HQ de um detetive noir, "hard boiled" típico... Também fiz pro mercado europeu, mas anos depois saiu publicado em São Paulo.
Bom, deve ter mais coisas, mas nunca lembro de nada...!

SUÁD: QUANTAS HQS JÁ PRODUZIU NO TOTAL?
SEABRA: Nem tenho idéia. Mas creio que dá pra achar boa parte ou quase tudo na net. Mas não tenho interesse e nem tempo...
Um dia desses achei sem querer na internet uma edição de 60 páginas que fiz para a Editora Vidente, e que, caramba, eu nunca havia visto impressa... Fiquei bem contente. E um amigo me presenteou com uma edição novinha dum personagem japonês que desenhei para a EBAL e que havia sido a primeira revista que ele comprou quando criança (risos)...
Sem contar as edições de Literatura em Quadrinhos que faço atualmente. Isso conta? Tem uma baciada de personagens lá!
(Ahnnn... ISSO era da resposta anterior (risos)...).

SUÁD: GOSTARIA QUE FIZESSE UMA COMPARAÇÃO ENTE SUAS AMBIÇÕES ENQUANTO QUADRINHISTA QUANDO COMEÇOU A PRODUZIR SUAS HQS E SUAS PRETENÇÕES ATUAIS?
SEABRA: Bom, o que eu queria é o que a grande maioria dos aspirantes a desenhista quer: produzir quadrinhos nacionais continuamente... Escrever e desenhar histórias, vê-las publicadas, criar universos, desenvolver um bom material, etc. Mas como o mercado nacional nunca se mostrou apto a isso vem a segunda opção do que eu "queria"...
Em segundo lugar o que eu "queria" (risos...) não ter perdido o bonde da história e ter seguido, migrado juntamente com outros profissionais de minha geração e amigos meus para o mercado americano de quadrinhos... Desenhar os personagens de nossa infância... Desenvolver trabalhos e projetos com os grandes e fabulosos mestres americanos com quem tanto aprendemos e seguimos aprendendo...
Quanto as pretensões atuais, sei lá... Esse nosso péssimo mercado de trabalho acabou com todas elas... Seguir vivendo, estudando desenho, publicando meus quadrinhos quando posso, trabalhando nas minhas encomendas, etc.


Grande abraço.

A arte de Sebastião Seabra pode ser vista no blog do artista.

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