domingo, 9 de setembro de 2012

O FIM DOS FANZINES - O RETORNO

Fonte: QI 116

No número anterior do QI, fiz uma analise sobre os fanzines impressos, a apartir de um artigo de Henrique Magalhães. Tomei como base as edições divulgadas no QI em 2011 e verifiquei que durante o ano foram divulgadas 283 edições, das quais 180 relacionadas com quadrinhos. Dessas, 167 foram de revistas independentes, ou seja, aquelas que trazem HQs propriamente ditas, dos editores e colaboradores. Somente 13 edições foram de fanzines, na acepção mais restrita da palavra, ou seja, aquelas edições informativas, que trazem textos sobre quadrinhos já existentes. A conclusão é que os fanzines impressos estão mesmo no fim. Resistem somente aqueles que fazem trabalho mais elaborado de análise ou registro mais amplo da materia, como, por exemplo, o "Top! Top!" que, a cada número, faz um dossiê de um autor.
Logo após ter escrito o texto, recebi o "2º Anúario de Fanzines, Zines e Publicações Alternações", da Editora Ugra, produzido por Douglas Utescher, Flávio Grão e Márcio Sno. A questão que imediatamente se impôs: O Anuário compravaria o prognóstico ou mostraria uma realidade diferente do que posso observar através da janela do QI?
O anuário trouxe resenhas de 165 títulos. Desses, 21 foram de edições estrangeiras, sul-americanas na verdade, e estas eu vu excluir na análise. Sobraram 144 edições brasileiras. Um dos fanzines foi impresso numa camiseta, também estou excluindo este. Sobraram 143. A classificação que farei a a partir daqui, eu me baseei nas resenhas, e algumas vezes não deu para ter certeza se na publicação predominavam as HQs ou não. Portanto, ode haver alguma imprecisão nos números a seguir. Prosseguindo, das 143 edições brasileiras, 60 são dedicadas aos quadrinhos e 83 tratam de outros temas, como bandas, poesias, ilustrações, opiniões,  experimentações diversas. Essas 83 edições de outros temas parecem, em sua maioria, fanzines propriamente ditos, tratam de assuntos enfocados, ou seja, falam sobre bandas, fazem comentários sobre temas como a cena punk, a diversidade sexual, a música evangélica, etc. Alguns, poucos, trazem produções próprias, como contos ou poemas, e neste caso, não seriam fanzines. Mas a primeira conclusão já está aí. Quando o tema não é Histórias em Quadrinhos, o fanzine está bem vivo, com uma grande produção com uma temática bem variada, além de grande diversidade na própria maneira de fazer a edição.
Dos 60 títulos relacionados aos quadrinhos, ocorre o contrário, 59 são revistas independentes, somente 1 é fanzine, justamente o "Top! Top!" de Henrique Magalhães. O Anuário confirma a conclusão do texto anterior: Os fanzines de quadrinhos esqueceram de deitar.

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