segunda-feira, 6 de agosto de 2012

ENTREVISTA: JOSÉ SALLES, EDITOR DA JÚPITER II


Professor de História, escritor e "fazedor" de fanzines. Produziu (e produz), entre outros, Heróis em Ação, Gibizada,Gibizóide e Gibizêra. Sempre na base da composição amadora e xerox. É assim que ele gosta! É autor de O Obscuro Cárcere da Solidão (Editora Ateniense, 1996) e Vidas Solitárias (Arte Pau Brasil Editora, 1996). Os contos de Vidas Solitárias foram adaptados em quadrinhos por Marcelo Marat e Emanuel Thomaz, e publicados pela editora Marca de Fantasia em 2005. Criou a SM Editora, onde publica HQ’s das suas personagens e também de outros quadrinhistas brasileiros. É editor também da Júpiter II, uma das editoras nacionais, que em meio a parcerias com autores, publica os mais diversificados gêneros de quadrinhos do mercado nacional. Agradando a gregos e troianos. Uma editora independente que edita e vende edições de autores nacionais via e-mail, são edições que abordam histórias de super-heróis nacionais, adultas, infantis e entre outros temas que permitem a republicação, a releitura e o lançamento de autores tradicionais e novatos.
Nesta entrevista, publicada no site Meu Herói, José Salles fala um pouco sobre seus projetos e visões a respeito da nona arte brasileira, leia:

1 – Salles, nos conte um pouco sobre a história de sua editora, de onde surgiu a idéia de abrir uma editora com a missão de publicar material 100 % nacional, e por que ela se chama Júpiter 2 ?

Salles: Júpiter II nasceu da convivência fanzineira de mais de dez anos com vários amigos artistas dos Quadrinhos. A idéia foi simplesmente dar um acabamento gráfico mais bonitinho para os fanzines, uma tiragem maior e maior distribuição – e, com isso, muito mais leitores, coisa que, felizmente, estamos conseguindo fazer. Inicialmente o selo chamava-se SM Editora, mudamos para Júpiter II em homenagem a editora paulistana homônima, dos anos 50 do século XX, onde Gedeone Malagola deu seus primeiros passos como artista dos Quadrinhos.

2 – Os heróis e os símbolos da cultura pop americana dominam as nossas bancas de jornais, por outro lado, a arte vinculada aos estilos europeus predominam nos lançamentos das livrarias. Na sua opinião, é possível ampliar o espaço para a arte tupiniquim nas bancas e livrarias?

Salles: É possível desde que os autores brasileiros estejam empenhados em mudar esse quadro, deixando de imitar autores estrangeiros e se dediquem de corpo e alma na formação de novos leitores – e certamente não é imitando Alan Moore e Neil Gaiman que formaremos novos leitores.

3 – Atualmente, você é o único editor (ou um dos únicos) que relança personagens como Raio Negro, Homem Lua, e as novas obras de Velta. O interesse do público brasileiro pelos nossos antigos e novos heróis tem sido crescente?

Salles: Quanto mais se investir na formação de novos leitores, mais crescente será o público leitor de HQs de personagens brasileiros. Inútil tentar atrair os atuais fãs da Marvel/DC, dos mangás. Só um investimento maciço, direto, especialmente entre crianças e jovens que sequer tem acesso aos gibis, é que aumentará o público leitor de HQB. Claro que, para isso, deve-se dar prioridade a Quadrinhos que possam agradar a esse público jovem, com boas temáticas, mensagens divertidas e edificantes, ou seja, criar HQs na contramão do que é feito na Marvel/DC, Vertigo, essa porcariada toda!

4 – Vender por e-mail é a melhor maneira de atingir um público específico ávido por um material independente, alternativo e “made in Brazil”?

Salles: Atualmente, sim. Com uma militância tal qual descrevi nas respostas anteriores, o público leitor da HQB certamente aumentará, então teremos mais chances, mais meios e recursos para oferecer nossas revistas.

5 – Qual o principal desafio você ainda precisa enfrentar para ir adiante com o projeto da Júpiter II?

Salles: Exatamente este que falei, insistir na distribuição maciça a leitores “virgens” de Marvel/DC, Wathcmen, Sandman e outros quadrinhos “das trevas”. Apresentando nossos gibis, nossos personagens, a jovens leitores, estaremos aumentando nosso público leitor, gradativamente. Já fiz várias experiências e é batata, leitores desse perfil de que falei, acabam adorando os personagens brasileiros.

6 – Sobre os quadrinhos nacionais, para você, qual foi o melhor momento histórico de nossa nona arte?

Salles: Gosto particularmente do que foi produzido nos anos 50 a 70, tantos gêneros e personagens diversos, itens que busco incessantemente.

7 – Se você pudesse citar os melhores desenhistas da história de nossos quadrinhos, daria para formar um time de onze craques?

Salles: Ah, muito mais de onze, por isso, para não deixar nenhum craque de fora, visto que numa seleção feita de memória se cometeria muitas injustiças, melhor não citar nenhum... De qualquer forma, acima confessei qual a melhor fase da HQB, na minha opinião, por isso, os grandes mestres estão lá – alguns deles ainda vivos e saudáveis, produzindo coisas bacanas entre nós.

8 – Quais os próximos lançamentos você pretende disponibilizar até o final do ano?

Salles: Benjamin Peppe n.2; Capoeira Negro n.2, Raio Negro n.11, Corcel Negro n.5, Tormenta n.5. Que Deus continue me dando forças e recursos, para conseguir publicar estes e muitos outros gibis.

9 – Para o autor independente de quadrinhos, qual conselho de sobrevivência na arte você daria?

Salles: Xi, rapaz, não sou a pessoa mais indicada para dar esse conselho, visto que eu mesmo não sobreviveria só com os gibis da Júpiter II. Mas acho que o segredo é gostar do que se faz, fazer as coisas com amor, né?

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